Será que a internet torna as pessoas estúpidas?

confirmation bias

A Internet é um repositório de saber como nunca antes existiu na história da humanidade. À distância de um clique podemos encontrar volumes de informação que fariam empalidecer a Biblioteca de Alexandria. Mas será que toda a informação com a qual nos deparamos online é confiável?

A Internet contém, pelo menos, 4.49 mil milhões de páginas. Em Janeiro de 2017 a Internet tinha 3.77 mil milhões de utilizadores por todo o mundo, cerca de 50% da população mundial e 10% a mais do que no ano anterio.

É muito difícil medir com precisão a dimensão da Internet (ou sequer que haja acordo sobre quais os parâmetros que o definem). No entanto, em 2009 foi estimado que os conteúdos digitais presentes na Internet ‘equivaliam a uma pilha de livros que se estenderia 10 vezes a distância da Terra até Plutão‘. Desde então tem aumentado exponencialmente, sendo que as previsões dão como certo que aumente 4 vezes entre o período de 2015 e 2020.

Se por um lado, temos acesso a uma enorme quantidade e variedade de conhecimento (e.g. Projeto Gutenberg), por outro lado nem todos os conteúdos que encontramos na Internet são fidedignos. Como disse o filósofo Umberto Eco “A Internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá.(…) A Internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação.”

A título de exemplo, veja-se o caso do estudante Shane Fitzgerald que , no âmbito de uma pesquisa acerca da globalização da informação, publicou uma citação falsa num artigo da Wikipédia sobre a morte do compositor francês Maurice Jarre. A citação foi removida várias vezes por não ser atribuída a uma fonte credível, e várias vezes o estudante voltou a publicá-la, até que ela acabou por ficar. Vários jornais de renome utilizaram essa mesma citação falsa quando publicaram o obituário de Jarre. Este exemplo mostra-nos bem o quão questionável é a informação que encontramos na Internet, bem como o modo como é utilizada pelas fontes noticiosas, muitas das vezes tomanda como certa sem qualquer certificação.

A forma como pesquisamos  não nos garante que os resultados sejam isentos. Se por um lado, é certo que muitas das vezes procuramos informações que confirmem as nossas crenças pré-existentes, também é verdade que os próprios motores de busca podem enviesar os resultados que obtemos.

A esta tendência subconsciente de procurarmos confirmar aquilo em que acreditamos dá-se o nome de Confirmation Bias. As pessoas tendem a rejeitar evidências que contrariam as suas opiniões

Vários estudos. apontam também que os motores de busca podem exacerbar esta tendência com os seus algoritmos de pesquisa; não apenas as pessoas procuram confirmar aquilo em que acreditam com as suas pesquisas, também os motores de busca lhes fornecem resultados tendencialmente concordantes independentemente de serem ou não verdadeiros.

As redes sociais online (como o Facebook) são outro dos veículos que podem contribuir para reforçar essa tendência, por facilitarem o congregar de indivíduos em volta de interesses, pontos de vista e narrativas partilhadas.

Muita informação não é sinónimo de boa informação, tanto que a forma como esta se apresenta e o modo como é pesquisada podem limitar as teses contraditórias. Assim, são cimentadas as convicções das pessoas, por verem ‘confirmadas’ as suas crenças e não conhecerem os factos que as possam contradizer.

Este reforço do Confirmation Bias vem à custa da qualidade da informação e da confrontação de diferentes pontos de vista.

Em última análise a Internet não torna ninguém necessariamente mais nem menos inteligente. É apenas e só uma ferramenta, e como tal a sua efetividade depende da forma como é utilizada. Cabe a cada um dos utilizadores ser responsável por filtrar e verificar a informação com a qual suporta a sua visão do mundo.

 

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