As RP do futuro

AAEAAQAAAAAAAAN8AAAAJDM3Y2Y1ZDg0LTljY2YtNGRmMS05MWJmLWI0NjdjZDFjY2JlZg

Atualmente, as organizações são confrontadas com um aumento da utilização da Internet e dos social media pelos seus stakeholders, que hoje ganham uma voz. Muitas destas organizações sentem dificuldades em lidar com esta mudança de paradigma.

Como afirma Stuart Bruce, membro do UK’s Chartered Institute of Public Relations , as Relações Públicas têm tudo a ver com a criação e manutenção de relações. É verdade que a tecnologia digital vem potenciar a disseminação de rumores, devido à facilidade de qualquer um de nós se fazer ouvir. Isto constitui um desafio para os profissionais de RP, pois podem perder o controlo da mensagem que pretendem transmitir.

No entanto, esta mesma tecnologia veio também criar novas formas de comunicar em tempo real e compreender os públicos da organização, tornando mais fácil ir de encontro àquilo que estes desejam e necessitam. Este é um dos grandes desafios que enfrentam os profissionais de Relação Públicas hodiernamente. A social media permite também medir opiniões bem como o desempenho dos conteúdos publicados, através de métricas como o número de visualizações, “gostos”, comentários, partilhas e outras interações.

Este fénomeno veio alterar totalmente a dinâmica da profissão. A possibilidade de poder contactar diretamente com os públicos, através de ferramentas como o Twitter, públicar conteúdos sem necessitar de intermediários e saber em primeira mão aquilo que as pessoas têm a dizer faz das social media uma parte fundamental das Relações Públicas hoje e cada vez mais no futuro.

17454801_10158302182350328_1677185658_oxkcd

A era digital  veio também colocar um maior enfoque nas questões morais e de responsabilidade social. Os códigos de conduta das RP sempre prescreveram um comportamento ético baseado na integridade, honestidade, transparência e comunicação no interesse público. Apesar disso, muitos são os casos de utilização de táticas manipulativas e irresponsáveis por profissionais da área na prossecução dos interesses das organizações que servem.

Hoje, as organizações estão mais expostas do que nunca e, com as social media a opinião dos públicos pode alterar-se de forma viral, numa questão de segundos. Deste modo, a adoção de comportamento éticos e corretos já não se trata apenas de “fazer a coisa certa”. Se a organização não agir responsavelmente, rapidamente será exposta, o que terá sérias repercussões na sua reputação. 

Estudos indicam que 7 em cada 10 pessoas afirmam preferir companhias com consciência social; 81% dos consumidores do Reino Unido afirma que não se sentem confortáveis ao comprar produtos a empresas cuja conduta desaprovem; outros 30% recusam comprar produtos a companhias que não se encontrem em conformidade com os seus padrões éticos;

49% da população do Reino Unido evita consumir determinados produtos/serviços devido a questões éticas. O gráfico seguinte ilustra algumas das preocupações dos consumidores acerca de algumas questões essenciais que os levam a evitar determinados produtos ou serviços

personal boycots

Em 2015, a Google, a Apple, o Walmart, o Bank of America e a Microsoft acordaram em tomar medidas relativas às alterações climáticas. No mesmo ano, vários retalhistas dos Estados Unidos concordaram em deixar de vender bandeiras dos Estados Confederados em seguimento de um tiroteio em massa motivado por questões raciais. (north america consumer trends 2017). O mesmo sucedeu com diversas organizações e personalidades  que se opuseram a legislações estaduais que descriminassem a comunidade LGBTQ, nomeadamente a NBA e o Cirque du Soleil.

No entanto, não é apenas no domínio das relações comerciais que os desafios éticos são relevantes para as RP. De facto, podem assumir contornos mais estruturantes, pisando a fronteira que separa um comportamento ético de outro eticamente desvalioso. É o caso desta história, em que um repórter do jornal “USA Today”, ao investigar uma empresa de Relações Públicas que promove acções de propaganda para o Pentagono, foi ele próprio alvo de uma ação de propaganda concertada que visava descredibilizá-lo.

No mundo atual, as pessoas “votam com a carteira”, numa forma de ativismo social transnacional. É exigido das organizações que façam a coisa certa e que dêem o exemplo. Fruto desse ativismo, em casos extremos, chegam a ser boicotadas determinadas marcas. O reverso também é verdade, sendo dada preferência a quem atue de forma moralmente correta. Quando há tanto em jogo, agir eticamente é o único caminho. É desta forma que se conquista a lealdade dos públicos e consumidores.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s